Datum/Uhrzeit: bis Uhr
Art: Vorlesung/Vortrag, Präsenz
Ort: Raum 1.315, Haus 1, 3. Etage GWZ, Beethovenstraße 15, 04107 Leipzig

Wir laden herzlich ein zum Gastvortrag von Frau Prof. Dr. Eva Batličková von der Universität Masaryk, Brno, Tschechische Republik, die sich im Rahmen einer Erasmus-Mobilität an unserer Universität aufhält.

Os povos indígenas estão presentes na literatura brasileira desde seus princípios, marcados pelos relatos dos primeiros viajantes e dos sacerdotes jesuítas. Foi o romantismo, porém, que concedeu o protagonismo aos heróis indígenas, introduzindo ao imaginário brasileiro a figura do bom selvagem, um elemento fundamental na construção da identidade nacional de um país recém proclamado. Os exemplos mais célebres encontramos nos romances indianistas de José de Alencar, particularmente em O Guarani (1857) e em Iracema (1865). A imagem idealizada dos primeiros habitantes das Américas nos moldes de cavaleiros e virgens medievais transforma-se radicalmente na obra dos primeiros modernistas. Mário de Andrade, que dedica longos anos da sua vida aos estudos do folclore brasileiro, mostra “o mito fundador” da nação brasileira de uma perspectiva completamente diferente. Seu texto audacioso e irreverente, Macunaíma, o herói sem nenhum caráter (1928), tornou-se um marco na literatura do país. As pesquisas antropológicas na segunda metade do século XX trouxeram uma visão muito mais ampla e profunda das culturas dos povos originários, levando sua complexidade ao campo da literatura caracterizada como indigenista. Um dos livros que se destacam nesse contexto é Utopia Selvagem (1982), de Darcy Ribeiro. Uma verdadeira reviravolta, no entanto, chegou na década de 1990, quando os primeiros livros de autores indígenas começaram a ocupar espaço nas prateleiras das livrarias brasileiras. Só a partir deste momento, estabelece-se um autêntico diálogo que desafia os próprios conceitos da literatura e da escrita. Entre muitas obras podemos mencionar A terra dos mil povos: história indígena do Brasil contada por um índio (1998), de Kaká Werá Jecupé, e Metade cara, metade máscara (2004), de Eliane Potiguara.

Eva Batličková fez mestrado em Filosofia e Filologia Portuguesa na Universidade Masaryk em Brno e doutorado em Estudos Judaicos na Universidade de São Paulo (USP) com a tese sobre a obra dramática de Vilém Flusser. Desde fevereiro de 2020 faz parte do corpo docente no Instituto de Línguas e Literaturas Românicas da Universidade Masaryk. Leciona as disciplinas voltadas à literatura e à cultura brasileiras e os seminários da tradução literária. Sua pesquisa se concentra na produção literária dos povos indígenas e na teoria da linguagem de Vilém Flusser. Publicou A época brasileira de Vilém Flusser (2010) e Saul de Vilém Flusser: diálogo e subversão (2019). Traduziu, entre outros textos, Largo Desolato e Confraternização de Jardim de Václav Havel para português (2010), Esperando por Kafka de Vilém Flusser (2002) e Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire para tcheco (2022).

Der Vortrag findet in portugiesischer Sprache statt.