Datum/Uhrzeit: bis Uhr
Art: Vorlesung/Vortrag, Präsenz
Ort: NSG S 101, Universitätsstraße 1, 04109 Leipzig

Wir laden herzlich ein zum Gastvortrag von Frau Prof. Dr. Eva Batličková von der Universität Masaryk, Brno, Tschechische Republik, die sich im Rahmen einer Erasmus-Mobilität an unserer Universität aufhält.

O tema da linguagem está presente nos debates filosóficos desde as suas origens na Grécia antiga, onde era estreitamente relacionado à razão e seus limites. A palavra logos, que costuma ser traduzida como linguagem ou discurso, era utilizada como razão universal nos textos destes pensadores. Na primeira metade do século XX, os filósofos alemães retornaram ao pensamento grego buscando nele a recuperação da racionalidade ocidental em crise, que se revelava nos horrores da Primeira Guerra Mundial. O logos, um conceito da razão que não seja reduzida à racionalidade positivista, deveria garantir a harmonia entre o cosmos organizado e a racionalidade humana, longe da sua instrumentalização pragmática. Nesta época, encontramos também uma outra concepção da linguagem que busca a mesma harmonia. Sua referência não é, porém, o pensamento grego, mas o misticismo judaico. A concepção da linguagem adâmica no livro de Gênesis mostra a capacidade do ser humano de nomear as coisas de acordo com sua essência. É esta concepção da linguagem que Walter Benjamin desenvolve nos textos da juventude, em sua fase esotérica que se encerra com a elaboração da tese de livre docência Origem do drama barroco alemão (1925/1928). O conhecimento autêntico, segundo ele, está relacionado ao desvendamento do sentido original dos nomes, palavras originárias. No polo oposto, encontramos a alegoria, o pensamento especulativo baseado no julgamento. Por meio dele, a humanidade criou uma realidade artificial reduzida às leis das ciências exatas. Vilém Flusser, algumas décadas mais tarde, elabora uma concepção da linguagem muito próxima à de Benjamin. Em A história do diabo (1956), relaciona o progresso da humanidade com o avanço do pensamento especulativo, identificando as fases do progresso histórico com os pecados capitais. Neste caminho da perdição, o ser humano se afasta cada vez mais do mundo regido pelas regras divinas na direção do esvaziamento da realidade. Em A dúvida (1964), contudo, o autor oferece a solução na forma do nome próprio, no qual a linguagem, e com ela o senso da realidade, encontram seu restabelecimento, já que os conecta com a dimensão do sagrado da qual brotam suas raízes.

Eva Batličková fez mestrado em Filosofia e Filologia Portuguesa na Universidade Masaryk em Brno e doutorado em Estudos Judaicos na Universidade de São Paulo (USP) com a tese sobre a obra dramática de Vilém Flusser. Desde fevereiro de 2020 faz parte do corpo docente no Instituto de Línguas e Literaturas Românicas da Universidade Masaryk. Leciona as disciplinas voltadas à literatura e à cultura brasileiras e os seminários da tradução literária. Sua pesquisa se concentra na produção literária dos povos indígenas e na teoria da linguagem de Vilém Flusser. Publicou A época brasileira de Vilém Flusser (2010) e Saul de Vilém Flusser: diálogo e subversão (2019). Traduziu, entre outros textos, Largo Desolato e Confraternização de Jardim de Václav Havel para português (2010), Esperando por Kafka de Vilém Flusser (2002) e Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire para tcheco (2022).

Der Vortrag findet in portugiesischer Sprache statt.